Com o armazenamento de energia ganhando destaque na agenda energética regional, a APsystems está começando a olhar além da geração distribuída, e Gustavo Marín antecipou que a empresa já está considerando o lançamento de soluções de armazenamento em escala de serviços públicos.
Em entrevista exclusiva à Energía Estratégica, ele revelou que a estratégia se baseia em projetos já em operação na Ásia, ao mesmo tempo que reforça seu compromisso com o armazenamento comercial, industrial e residencial na América Latina.
A APsystems já está pensando em dar o salto para o armazenamento em escala de serviços públicos?
Sim, é uma das medidas que estamos considerando. Temos soluções de armazenamento de energia em baterias (BESS) em configurações de 200 quilowatts, 400 quilowatts, 2 megawatts e 5 megawatts. Isso já faz parte da nossa estratégia.

Atualmente, esse desenvolvimento está progredindo na Ásia, e muitas instalações já estão operacionais, incluindo projetos bem-sucedidos de até 25 MW. O objetivo é replicar isso globalmente.
E a América Latina será incluída nesse roteiro?
Com certeza, queremos chegar a esse ponto. Primeiro, pretendemos consolidar essa experiência globalmente e, uma vez validada e operacional, replicá-la na América Latina. Nosso objetivo é que a região se beneficie dessa evolução tecnológica assim que tivermos mais experiência em armazenamento de energia para concessionárias.
Quando você se reúne com clientes na região, o que eles pedem especificamente e o que mudou nessas conversas?
Muita coisa mudou. Antes, a conversa girava em torno de microinversores ou geração de energia solar. Hoje, chegamos a reuniões em que o cliente já entende isso e pergunta diretamente: "Eu já tenho microinversores, agora quero integrar armazenamento, como faço isso?"
Essa é a maior mudança que observamos. O mercado amadureceu. Não precisamos mais evangelizar sobre energia fotovoltaica; agora a demanda é por otimizá-la com armazenamento. É aí que entramos, explicando como a solução funciona e como ela se integra.
Foi esse pedido que os levou a desenvolver novas soluções?
Exatamente. Durante 15 anos, focamos em microinversores, mas percebemos essa necessidade crescente e começamos a desenvolver produtos para atender a essa demanda. Hoje, o mercado está impulsionando essa evolução.
O que eles estão apresentando na RE+ México?
Estamos lançando sistemas isolados da rede elétrica, microinversores de maior potência e soluções de armazenamento de energia para os setores comercial, industrial e residencial. O objetivo é demonstrar que não somos mais apenas uma empresa de microinversores; estamos expandindo nossa oferta para incluir soluções energéticas mais abrangentes.
Esses lançamentos são destinados à América Latina?
Sim, para toda a América Latina. O Brasil está até um passo à frente e serve como ponta de lança, mas o objetivo é regional.
Quais são os mercados prioritários para a APsystems nesta nova fase?
O Brasil é um mercado-chave. Em seguida, vêm México, Colômbia, Guatemala e Costa Rica. Também vemos oportunidades significativas para retomar o crescimento na Argentina, Chile e Peru. São mercados nos quais queremos consolidar nossa presença, principalmente porque o armazenamento está se tornando cada vez mais importante.
Dentre esses mercados prioritários que você mencionou, como você vê o progresso da geração distribuída em nível regional hoje?
Observamos mudanças regulatórias e maior abertura em mercados onde antes havia restrições. O apoio e os incentivos contribuíram para que a autogeração ganhasse terreno. É verdade também que os processos eleitorais em alguns países geram incerteza e, por vezes, atrasam decisões ou investimentos. Mas, mesmo nesse contexto, vemos uma tendência de maior abertura na região.
Se você tivesse que apontar um modelo de regulamentação, qual destacaria?
Infelizmente, nenhuma. Ainda existem muitas restrições à geração fotovoltaica. Em muitos casos, o fornecedor de energia tradicional continua muito protetor em relação à geração distribuída, o que limita o desenvolvimento.
Mas também é verdade que os recursos são insuficientes, e isso está forçando essa abertura. Nesse contexto, vemos espaço para que tanto a geração distribuída quanto o armazenamento ganhem mais destaque.
Como começou o ano de 2026 para a APsystems em termos de vendas?
Tem sido melhor do que no ano passado. 2025 foi um ano atípico, com níveis muito baixos, mas este ano estamos vendo uma recuperação e uma dinâmica de negócios mais positiva.
E como você imagina o final do ano?
Esperamos crescer em toda a América Latina. A incerteza política que mencionei tem impacto, mas ainda vemos perspectivas positivas para a região.
Além do mercado, como você definiria a APsystems hoje, nesta nova fase?
A APsystems sempre teve um forte foco em tecnologia de microinversores. Esse tem sido nosso principal negócio por 16 anos. Mas agora, o armazenamento de energia também é um de nossos principais objetivos. Estamos nos profissionalizando nessa área e queremos crescer mantendo esse mesmo foco. O que eu gosto na empresa é justamente isso: quando temos um objetivo, trabalhamos diligentemente para alcançá-lo.
O que você gostaria que tivesse acontecido quando nos encontrarmos novamente em 2027?
Gostaria de ver uma maior penetração de mercado em toda a América Latina. Sabemos que há mais concorrência e mais equipamentos no mercado, mas queremos continuar nos destacando como temos feito nos últimos anos. Com inovação e tecnologia, gostaria que tivéssemos crescido ainda mais na região.
Vamos para o nível pessoal: como você entrou no mundo da energia?
Sou engenheiro de comunicações e eletrônica e sempre fui fascinado pelo funcionamento interno dos equipamentos. Trabalhei inicialmente em telecomunicações e depois na Flextronics, mas minha entrada no setor de energia solar foi bastante incomum: meu pai me deu um aquecedor solar de água, liguei para algumas empresas para saber como instalá-lo e foi assim que tudo começou.
Foi esse o ponto de virada que te fez entrar no ramo das energias renováveis?
Sim, com certeza. A partir daí, comecei a me aprofundar no setor, cheguei até a fazer um mestrado em tecnologias ambientais, o que acabou me direcionando para a energia solar.
E como você chegou à APsystems?
Anteriormente, trabalhei em empresas de instalação, como a Solar Technology, até ingressar na APsystems, onde completarei dez anos em maio.
Como seu papel dentro da empresa evoluiu?
Comecei como engenheiro de suporte, mas à medida que a empresa cresceu, passei a atuar em outras áreas, desde finanças até representação jurídica.
Isso me permitiu entender completamente como uma empresa funciona e crescer junto com a marca.
Para finalizar, há algo que você gostaria que o mercado entendesse hoje sobre o futuro da APsystems?
Nossa visão é continuar crescendo na América Latina por meio da inovação e de uma oferta cada vez mais robusta. Há mais concorrência, sim, mas queremos continuar nos destacando como temos feito nos últimos 16 anos, agora com o armazenamento como componente central dessa evolução.
A FES como epicentro do debate
Novos editais de propostas e oportunidades para energias renováveis e armazenamento de energia farão parte da discussão na turnê Future Energy Summit, que continuará com a FES Guatemala em 14 de maio e a FES México em 19 de maio, onde atores-chave dos setores público e privado abordarão os desafios e as oportunidades relacionados à expansão do sistema energético, novos esquemas de investimento e a execução de projetos estratégicos.
Para acessar a programação completa da FES 2026, saber mais sobre o evento e participar das reuniões, a plataforma digital da FES está disponível. Todos os eventos serão transmitidos ao vivo pelo canal oficial da Future Energy Summit no YouTube.
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