De acordo com os fabricantes que atendem aos critérios Tier 1 da BloombergNEF no primeiro trimestre de 2026, a capacidade anual de produção de módulos já atinge aproximadamente 1,005 GW.
O ranking mostra um mercado claramente dominado por empresas chinesas ou empresas fortemente ligadas ao ecossistema industrial chinês.
Entre as maiores capacidades produtivas estão:
- Longi: 120 GW,
- Jinko Solar: 120 GW,
- Trina Solar: 100 GW,
- JA Solar: 100 GW,
- Tongwei/TW Solar: 85 GW,
- Canadian Solar: 61 GW,
- Chint/Astroenergia: 56 GW,
- Risen Energy: 48 GW,
- Aiko Solar: 35,5 GW,
- Integração do sistema GCL: 29,5 GW.
O valor total permite-nos compreender a velocidade com que o setor cresceu nos últimos cinco anos.

Para se ter uma ideia: há menos de uma década, um fabricante com capacidade de 10 GW era considerado um dos líderes globais. Hoje, diversas empresas ultrapassam os 100 GW anuais.

Um dos pontos mais relevantes surge ao comparar a capacidade instalada com as remessas reais de módulos durante 2025.
Segundo a Solarbe Consulting:
- A Jinko Solar liderou as remessas globais com entre 85 e 90 GW;
- Longi estava localizada perto de 85 GW;
- A Trina Solar e a JA Solar atingiram entre 65 e 70 GW;
- A capacidade instalada da TW Solar estava entre 45 e 47 GW;
- A Astronergy atingiu 35,6 GW;
- O GCL SI atingiu entre 25 e 26 GW;
- A Canadian Solar estava localizada perto de 24,5 GW;
- A DMEGC registrou 23,2 GW;
- Os projetos da Yingli Solar e da TCL Solar variaram entre 21 e 22 GW.
A comparação revela uma situação fundamental para a compreensão do presente da indústria: mesmo os líderes globais operam com níveis de utilização abaixo de sua capacidade máxima.
Jinko Solar: Volume, Escala e Liderança Global
A Jinko Solar se posiciona mais uma vez como a principal referência global em volume.
A empresa combina:
- uma das maiores capacidades de produção do mundo (120 GW),
- presença global consolidada,
- forte expansão internacional,
- e liderança histórica em escritórios de advocacia.
Suas remessas, que variam entre 85 e 90 GW, demonstram uma utilização industrial muito alta em comparação com os concorrentes.
Além disso, a TOPCon mantém uma estratégia agressiva de integração vertical e expansão tecnológica.
Longi: Liderança tecnológica sob pressão
A Longi continua sendo uma das gigantes do setor e provavelmente a referência mais associada à inovação tecnológica e à eficiência.
Com 120 GW de capacidade instalada e aproximadamente 85 GW entregues em 2025, a empresa permanece entre as maiores do mercado, embora enfrente desafios maiores do que nos anos anteriores.
Trina Solar e JA Solar: a batalha pelo top 3
A Trina Solar e a JA Solar parecem estar praticamente empatadas em termos de remessas globais, com entre 65 e 70 GW cada.
Tongwei: Da exploração mineral à liderança industrial
A TW Solar (Tongwei) representa um dos casos mais interessantes do mercado.
Historicamente, a empresa cresceu a partir de:
- polissilício,
- a montante,
- e cadeia de suprimentos.
Mas hoje já figura entre os maiores fabricantes globais de módulos.
Com 85 GW de capacidade instalada e até 47 GW já enviados, a Tongwei apresenta uma das taxas de crescimento mais rápidas de todo o setor.
Astroenergia e Chint: consolidação internacional
A Astronergy, parte do grupo Chint, atingiu a marca de 35,6 GW em remessas em 2025.
Isso permite que a empresa diversifique seus negócios para além da simples comercialização de módulos.
Canadian Solar: presença global e diversificação
A Canadian Solar mantém um dos perfis mais internacionais do setor.
Embora sua capacidade (61 GW) e remessas (aproximadamente 24,5 GW) fiquem aquém das gigantes chinesas, a empresa mantém:
- forte posicionamento na América,
- sólida presença financeira,
- e expansão acelerada no armazenamento por meio do e-STORAGE.
É uma das empresas que evoluiu de forma mais clara de fabricante para desenvolvedora e integradora de energia.
GCL SI: Volume com foco na rentabilidade
A apresentação divulgada pela própria GCL enfatiza um aspecto fundamental:
manter margens positivas.
Num contexto em que muitas empresas sacrificam a rentabilidade para manter a quota de mercado, a GCL procura diferenciar-se através de:
- estabilidade financeira,
- integração industrial,
- e posicionamento de nível 1.
A empresa aparece com:
- 29,5 GW de capacidade,
- e entre 25 e 26 GW de potência de despacho.
A relação relativamente próxima entre os dois números reflete uma utilização industrial mais eficiente do que a de outros concorrentes de maior escala.
O problema estrutural: excesso de capacidade global
Para além das diferenças entre as empresas, a análise chega a uma conclusão clara: a indústria solar global atravessa um cenário de sobrecapacidade estrutural.
A capacidade instalada total excede em muito a demanda anual efetiva.
Isso gera:
- pressão extrema sobre os preços,
- margens decrescentes,
- consolidação industrial,
- competição acirrada,
- e risco financeiro para fabricantes de médio porte.
Em outras palavras: a indústria pode produzir muito mais do que o mercado absorve atualmente.

