A Associação de Geradores Independentes de Energia (GIE AG) propõe uma transição gradual nos Decretos Supremos nº 88 e nº 125, atualmente em revisão pela Controladoria Geral da República, para minimizar os efeitos iminentes que alterarão as condições sob as quais o financiamento para Pequenos Sistemas de Geração Distribuída (PMGD) foi finalizado.
O debate surge num contexto em que os projetos de geração distribuída de pequena escala (GDPPE) adquiriram um papel significativo na matriz energética nacional, contribuindo com aproximadamente 10% para o sistema elétrico e mobilizando investimentos substanciais nas regiões. No entanto, as regulamentações propostas podem afetar as condições em que esses projetos foram desenvolvidos.
Análises técnicas submetidas ao Ministério da Energia indicam que, caso o formato atual dos decretos seja mantido, 65% dessas usinas de geração de energia enfrentarão dificuldades para cumprir suas obrigações financeiras, segundo Mauricio Utreras, diretor executivo da Independent Power Generators (GIE AG). Esse cenário implicaria em aceleração do pagamento de dívidas e no potencial abandono de projetos energéticos em operação ou em desenvolvimento.
O impacto previsto seria significativo: estima-se que aproximadamente 690 usinas de energia renovável poderiam ser afetadas, juntamente com cerca de 20.000 empregos diretos difíceis de substituir e mais de US$ 6 bilhões em investimentos, um valor comparável ao ajuste fiscal promovido pelo Governo.

Diante dessa situação, o representante da GIE indicou que, embora haja consenso sobre a necessidade de modernizar as regulamentações do setor, quaisquer mudanças devem ser implementadas gradualmente. Isso salvaguardaria a estabilidade do sistema, evitaria distorções na concorrência e manteria a confiança dos investidores.
Ele também enfatizou que ainda há espaço para aprimorar a proposta antes de sua aprovação. “Em particular, ajustes técnicos acordados com a indústria de gás natural liquefeito (PMGD) foram propostos ao Ministério da Energia, buscando conciliar a modernização regulatória com a sustentabilidade econômica dos projetos.”
A forma como essas reformas forem abordadas estabelecerá um precedente em termos de segurança jurídica e condições de investimento, elementos considerados essenciais para o desenvolvimento da infraestrutura energética no país.

